Dados divulgados no primeiro Levantamento Nacional sobre o Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários são estarrecedores.
Informam que mais de 90% dos universitários da região Sul assumem já ter experimentado álcool e outras drogas. Em outro trecho a notícia informa: "em relação à bebida alcoólica, 86% dos universitários disseram já ter consumido álcool, sendo 80% entre os menores de 18 anos". Não é muita novidade pelo que se vê pelas ruas, bares e baladas. Mas é preocupante porque essa droga lícita é a porta de entrada das drogas pesadas.
A publicação séria traz dados que merecem a atenção de todos: autoridades, professores, profissionais de saúde, igrejas, pais e mães de família, etc.
O álcool destrói os seres humanos, as famílias e a sociedade. Já fizeram alguma coisa contra o outro vilão lícito: o cigarro. Está na hora de tomarem providências contra essa indústria destrutiva das bebidas alcoólicas. Quem se habilita a encarar essa batalha? Qualquer vício mata, mas a bebida alcoólica, por ser lícita, é o pior dos vícios. Podem me chamar de "quadrado", mas para mim o lema é: vício zero. Para que serve a bebida alcoólica? Prejudica a saúde, destrói a família, deturpa a mente, provoca acidentes no trânsito, consome dinheiro ganho com suor! O prazer e a euforia que provocam são momentâneos, mas nada têm de prazer e alegria verdadeiros.
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terça-feira, 6 de julho de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
Brasileiro bebe muito a cada vez, diz estudo.
Pelo menos uma vez por semana a publicitária Leila (nome fictício), de 35 anos, "enche a lata". Já o atendente de telemarketing Ricardo (nome fictício), de 25 anos, conta que prefere nem beber durante a semana para não ter problemas para trabalhar no dia seguinte. "Eu sei que, se eu tomar uma lata de cerveja, vou tomar duas, três e por aí vai." Nem Leila nem Ricardo podem ser considerados dependentes de álcool. Mas ambos seguem um padrão de consumo que é típico do brasileiro: o "binge drinking" ou "beber pesado episódico" (mais de cinco doses para homens e quatro para mulheres em uma ocasião).
"Em vez de beber todos os dias, moderadamente, às refeições, como os europeus, os brasileiros bebem tudo de uma vez no fim de semana. É um padrão prejudicial, pois aumenta o risco de dependência e deixa a pessoa mais sujeita a intoxicação e comportamento de risco, como sexo desprotegido, abuso de nicotina e dirigir embriagado", afirma a pesquisadora do Instituto de Psiquiatria da USP Camilla Magalhães Silveira.
Camilla coordenou, no Brasil, parte de uma investigação da Organização Mundial de Saúde (OMS) realizada em 28 países com o intuito de medir a prevalência de transtornos mentais na população. Mais de 5 mil pessoas participaram da pesquisa na região metropolitana de São Paulo, escolhida para representar o País.
Os dados obtidos revelam que, enquanto o consumo per capita anual de bebida alcoólica na França é de 18 litros por pessoa, no Brasil ele está abaixo de 8 litros. No entanto, a taxa de abuso e dependência aqui é de 4%, enquanto entre os franceses é de apenas 0,8%.
"A OMS tem uma escala que vai de 1 a 4 e mostra o quanto é prejudicial o consumo em cada País. O Brasil recebeu nota 4, a de maior gravidade. Já os europeus têm um padrão de consumo protetor, que até faz bem à saúde", explica.
O estudo revelou ainda que 86% dos entrevistados haviam consumido ao menos 1 dose de bebida alcoólica na vida, e 56,2% consomem regularmente (pelo menos 12 doses em 12 meses). A taxa de dependência foi de 3,3% e a de abuso, de 9,4%.
"Ainda que os abusadores não sejam a maioria no País, o impacto na saúde é grande. Isso resulta em acidentes de trânsito, em violência física e verbal e prejudica o rendimento no trabalho e no estudo", afirma Arthur Guerra, um dos maiores especialistas do País no tratamento de dependentes de álcool e drogas.
"Não sei ao certo o quanto bebo, pois há sempre mais pessoas na mesa. Só sei que no fim da noite há pelo menos 20 garrafas de cerveja amontoadas ao lado", diz Ricardo. "Além disso, em festa, extrapolo mesmo."
Fora de casa. Outro levantamento recente, da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Unifesp, aponta que quase metade da população é abstêmia - e que, quem bebe, bebe muito. "Cerca de 25% disseram beber pouco e ocasionalmente. Os outros 25% são responsáveis por consumir 80% do álcool ingerido no País", diz Ronaldo Laranjeira, responsável pela pesquisa.
Para o psiquiatra, esse padrão está relacionado a um consumo não domiciliar. "O consumo é principalmente social, fora de casa e, por isso, a tendência é que seja maior", analisa. Para ele, essa cultura é preocupante não só porque leva os jovens ao consumo excessivo, mas também porque os leva a beber longe do controle familiar.
A proibição da propaganda de bebidas alcoólicas e uma fiscalização que de fato coíba a venda a menores de idade são as medidas apontadas por Laranjeira para reverter o quadro. "Não podemos deixar que a educação de nossos filhos para o álcool seja feita pela indústria de bebida."
"Em vez de beber todos os dias, moderadamente, às refeições, como os europeus, os brasileiros bebem tudo de uma vez no fim de semana. É um padrão prejudicial, pois aumenta o risco de dependência e deixa a pessoa mais sujeita a intoxicação e comportamento de risco, como sexo desprotegido, abuso de nicotina e dirigir embriagado", afirma a pesquisadora do Instituto de Psiquiatria da USP Camilla Magalhães Silveira.
Camilla coordenou, no Brasil, parte de uma investigação da Organização Mundial de Saúde (OMS) realizada em 28 países com o intuito de medir a prevalência de transtornos mentais na população. Mais de 5 mil pessoas participaram da pesquisa na região metropolitana de São Paulo, escolhida para representar o País.
Os dados obtidos revelam que, enquanto o consumo per capita anual de bebida alcoólica na França é de 18 litros por pessoa, no Brasil ele está abaixo de 8 litros. No entanto, a taxa de abuso e dependência aqui é de 4%, enquanto entre os franceses é de apenas 0,8%.
"A OMS tem uma escala que vai de 1 a 4 e mostra o quanto é prejudicial o consumo em cada País. O Brasil recebeu nota 4, a de maior gravidade. Já os europeus têm um padrão de consumo protetor, que até faz bem à saúde", explica.
O estudo revelou ainda que 86% dos entrevistados haviam consumido ao menos 1 dose de bebida alcoólica na vida, e 56,2% consomem regularmente (pelo menos 12 doses em 12 meses). A taxa de dependência foi de 3,3% e a de abuso, de 9,4%.
"Ainda que os abusadores não sejam a maioria no País, o impacto na saúde é grande. Isso resulta em acidentes de trânsito, em violência física e verbal e prejudica o rendimento no trabalho e no estudo", afirma Arthur Guerra, um dos maiores especialistas do País no tratamento de dependentes de álcool e drogas.
"Não sei ao certo o quanto bebo, pois há sempre mais pessoas na mesa. Só sei que no fim da noite há pelo menos 20 garrafas de cerveja amontoadas ao lado", diz Ricardo. "Além disso, em festa, extrapolo mesmo."
Fora de casa. Outro levantamento recente, da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Unifesp, aponta que quase metade da população é abstêmia - e que, quem bebe, bebe muito. "Cerca de 25% disseram beber pouco e ocasionalmente. Os outros 25% são responsáveis por consumir 80% do álcool ingerido no País", diz Ronaldo Laranjeira, responsável pela pesquisa.
Para o psiquiatra, esse padrão está relacionado a um consumo não domiciliar. "O consumo é principalmente social, fora de casa e, por isso, a tendência é que seja maior", analisa. Para ele, essa cultura é preocupante não só porque leva os jovens ao consumo excessivo, mas também porque os leva a beber longe do controle familiar.
A proibição da propaganda de bebidas alcoólicas e uma fiscalização que de fato coíba a venda a menores de idade são as medidas apontadas por Laranjeira para reverter o quadro. "Não podemos deixar que a educação de nossos filhos para o álcool seja feita pela indústria de bebida."
quinta-feira, 25 de março de 2010
Impunidade e tragédias de motoristas alcoolizados
Na medida em que os acidentes de trânsito provocados por motoristas embriagados pelo álcool vão capitalizando vítimas, é possível recorrentemente voltar as causas destas mortes nas ruas e nas estradas brasileiras. Com base em dois graves e lamentáveis acidentes a revista Veja publicou uma reportagem que é um verdadeiro libelo contra a imprudência de dirigir veículo automotor sob efeito etílico das bebidas alcoólicas.
Um deles é particularmente brutal: um motorista que passara a tarde bebendo numa churrascaria, tomou a rodovia Raposo Tavares, em São Paulo, dirigiu cerca de vinte quilômetros na pista da contra-mão em alta velocidade, e acabou se chocando de frente com um carro que trafegava regularmente na direção contrária. Um casal morreu instantaneamente com a explosão do carro.
Tem também um caso que seria pitoresco se não fosse tão lamentavelmente trágico. Depois de ingerir o equivalente a sete latas de cerveja um serralheiro resolveu dirigir o carro sem nenhuma condição para tal e perdeu a direção do veículo que subiu a calçada de uma praça e atropelou um homem e seu filho de oito meses. O fato ocorreu em Carapicuíba na região metropolitana da capital paulista. O bebê ainda foi levado para o hospital, mas não resistiu aos ferimentos resultantes do atropelamento e veio a falecer. O motorista embriagado é contumaz infrator, pois anteriormente, tinha sido flagrado cinco vezes dirigindo embriagado e sem carteira de habilitação, mas, impunemente, foi deixado a voltar a praticar infração ainda mais grave com a morte de uma criança de tenra idade.
Alguma coisa está errada na nossa legislação de trânsito para permitir tanta impunidade e tanto estímulo à violação da lei. Um dos mais graves erros é permitir que o motorista flagrado sob suspeita de alcoolemia possa se recusar a fazer o teste do bafômetro sob o pressuposto de que o indivíduo pode se recusar a produzir prova contra si mesmo. Tamanho absurdo não considera que o teste do bafômetro não é contra o motorista bêbado, mas a seu favor. Afinal, verificando-se que ele não tem condições de dirigir o veículo pelo teste do etilômetro, o impedir dele continuar dirigindo é uma ação a seu favor, e não contra ele.
Mas o pior dos erros é a permissividade da propaganda irrefreada de bebidas alcoólicas, um abuso para o qual não se toma providências. Na televisão, nas rádios, não há limites para a publicidade de cerveja que patrocina, inclusive, programação destinada ao público jovem como a esportiva.
Tudo isto faz com que o consumo de bebidas alcoólicas seja permissivo, tolerado, incontido. E o número das vítimas do alcoolismo e de motoristas alcoolizados continuará crescendo. Até parece que existe uma mancomunação entre a indústria cervejeira e a mídia que fatura com tão deletéria publicidade. Afinal, sem que haja providências para por regras minimamente aceitáveis da publicidade de cerveja, estaremos menoscabando o valor de tantas vidas ceifadas inutilmente nas ruas e nas estradas devido o abusivo consumo de bebidas alcoólicas.
Bebida alcoólica é uma espécie de porta de entrada rápida para o mundo das drogas, e é uma das drogas que mais destróem famílias, devido a sua grande acessibilidade e aceitação por parte de grande parte da sociedade. O slogan "beba com moderação" que empresas do ramo são obrigadas a dizer em seus atrativos comerciais, já não tem muito sentido de tanto que é repetido. Então beba com muita moderação, dê um CARTÃO VERMELHO AO ALCOOLISMO, esse mal que destróe famílias.
quarta-feira, 10 de março de 2010
O organismo pede socorro
É do bom senso que sempre se deve ingerir bebidas alcoólicas com moderação. Os malefícios do exagero no consumo já são do conhecimento de todos.
Estes efeitos quando combinados com o ato de dirigir, então, fazem uma associação "explosiva". Some-se a isso, o período de Carnaval, fazendo todas essas recomendações escoarem pelo ralo. Se nada de pior acontecer, o risco de amanhecer, depois de uma noite de tragos largos, com a sensação de que a cabeça tem o dobro de verdadeiro peso tem um nome conhecido: ressaca.
Os efeitos do distúrbio passam por sensações estranhas no corpo, uma leve "amnésia" que faz o bebedor tentar se lembrar do que aconteceu na noite anterior, sem sucesso.
Às vezes, se levantar é a última coisa que a pessoa pensa em fazer. O primeiro pensamento equilibrado vem como uma promessa: "nunca mais eu vou beber.". Esta quase sempre não cumprida.
A organização não governamental Cisa - Centro de Informações sobre Saúde e Álcool alerta para a elevada prevalência dos casos de ressaca.
Estudos apontam que 75% das pessoas que consomem doses acima do limite já sofreram distúrbio pelo menos uma vez na vida.
Em relação aos jovens, 90% dos estudantes bebedores não frequentes haviam sofrido ressaca, enquanto 50% dos bebedores mais assíduos apresentaram o distúrbio no último ano.
Substâncias tóxicas
A ressaca está associada à intoxicação aguda de álcool e inicia-se cerca de seis a oito horas após o consumo, podendo durar até 24 horas. Júlio Coelho, especialista em cirurgia do Aparelho Digestivo, reconhece que a moderação ainda é a melhor forma de evitar os desconfortos da ressaca.
O mal-estar surge porque o álcool é absorvido muito rapidamente pelo estômago. Depois de metabolizado, é levado pela corrente sanguínea até o cérebro. "Com efeito, bombardeado por diversas substâncias tóxicas que o agridem, o órgão reage por meio dessa síndrome", explica Coelho.
Para a psiquiatra Camila Guindalini, o álcool como qualquer outra droga de abuso, se for utilizada regularmente, tende a promover sintomas conhecidos como tolerância - redução na intensidade da resposta e necessidade de consumir uma quantidade cada vez maior para se obter o efeito anteriormente alcançado.
Assim, a quantidade de bebida ingerida, além de outros fatores, como o intervalo de tempo do consumo ou o tipo de bebida, estão relacionados ao aparecimento da ressaca.
"Estudos apontam que fatores psicológicos e vulnerabilidade à dependência de álcool, como predisposição genética, também estão envolvidos na manifestação do problema", avalia a médica.
Com efeito, filhos de pais dependentes de álcool, mais vulneráveis à dependência, apresentam ressacas mais graves do que filhos de não-dependentes, em condições comparáveis de frequência e quantidade de álcool consumido, conforme apontou pesquisa sobre o tema.
Estes efeitos quando combinados com o ato de dirigir, então, fazem uma associação "explosiva". Some-se a isso, o período de Carnaval, fazendo todas essas recomendações escoarem pelo ralo. Se nada de pior acontecer, o risco de amanhecer, depois de uma noite de tragos largos, com a sensação de que a cabeça tem o dobro de verdadeiro peso tem um nome conhecido: ressaca.
Os efeitos do distúrbio passam por sensações estranhas no corpo, uma leve "amnésia" que faz o bebedor tentar se lembrar do que aconteceu na noite anterior, sem sucesso.
Às vezes, se levantar é a última coisa que a pessoa pensa em fazer. O primeiro pensamento equilibrado vem como uma promessa: "nunca mais eu vou beber.". Esta quase sempre não cumprida.
A organização não governamental Cisa - Centro de Informações sobre Saúde e Álcool alerta para a elevada prevalência dos casos de ressaca.
Estudos apontam que 75% das pessoas que consomem doses acima do limite já sofreram distúrbio pelo menos uma vez na vida.
Em relação aos jovens, 90% dos estudantes bebedores não frequentes haviam sofrido ressaca, enquanto 50% dos bebedores mais assíduos apresentaram o distúrbio no último ano.
Substâncias tóxicas
A ressaca está associada à intoxicação aguda de álcool e inicia-se cerca de seis a oito horas após o consumo, podendo durar até 24 horas. Júlio Coelho, especialista em cirurgia do Aparelho Digestivo, reconhece que a moderação ainda é a melhor forma de evitar os desconfortos da ressaca.
O mal-estar surge porque o álcool é absorvido muito rapidamente pelo estômago. Depois de metabolizado, é levado pela corrente sanguínea até o cérebro. "Com efeito, bombardeado por diversas substâncias tóxicas que o agridem, o órgão reage por meio dessa síndrome", explica Coelho.
Para a psiquiatra Camila Guindalini, o álcool como qualquer outra droga de abuso, se for utilizada regularmente, tende a promover sintomas conhecidos como tolerância - redução na intensidade da resposta e necessidade de consumir uma quantidade cada vez maior para se obter o efeito anteriormente alcançado.
Assim, a quantidade de bebida ingerida, além de outros fatores, como o intervalo de tempo do consumo ou o tipo de bebida, estão relacionados ao aparecimento da ressaca.
"Estudos apontam que fatores psicológicos e vulnerabilidade à dependência de álcool, como predisposição genética, também estão envolvidos na manifestação do problema", avalia a médica.
Com efeito, filhos de pais dependentes de álcool, mais vulneráveis à dependência, apresentam ressacas mais graves do que filhos de não-dependentes, em condições comparáveis de frequência e quantidade de álcool consumido, conforme apontou pesquisa sobre o tema.
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